O Porto deu nome a todo o país. É também conhecido como Invicta, que significa “a invencível”. Este apelido remonta à Guerra Civil Portuguesa, no século XIX, quando os habitantes da cidade recusaram render-se durante um cerco e conseguiram, no final, defender o seu lar. A sua história revela muito sobre Portugal e sobre as pessoas que aqui vivem. Explorar a cidade é um verdadeiro prazer.
O rio Douro atravessa a cidade antes de desaguar no Atlântico, formando uma fronteira natural entre o Porto e a vizinha Vila Nova de Gaia. As duas cidades estão ligadas por pontes icónicas que se tornaram elementos marcantes da paisagem urbana. Graças ao relevo acidentado, pode desfrutar das vistas ao máximo. E é junto a uma dessas pontes que começa a nossa viagem.
A ponte mais famosa sobre o Douro é a Ponte Dom Luís I, construída na década de 1880. Possui dois níveis: o tabuleiro inferior para o tráfego rodoviário e o superior para peões e via ferroviária. Esta via não é utilizada por elétricos, como seria de esperar, mas pelo metro — mais concretamente pela Linha D (amarela). Com a sua estrutura em aço e proporções monumentais, a ponte é um verdadeiro deleite para os amantes de arquitetura. Não é, por isso, surpresa que, juntamente com o centro histórico, esteja classificada como Património Mundial da UNESCO.
A partir da margem de Vila Nova de Gaia, é possível desfrutar de uma vista deslumbrante sobre o Porto, em especial sobre o bairro histórico da Ribeira. As fachadas coloridas das casas ribeirinhas merecem certamente ser fotografadas. Mais abaixo, os telhados das famosas caves de vinho do Porto estendem-se ao longo da margem. Uma experiência inesquecível é também o passeio no Teleférico de Gaia, que liga a zona ribeirinha ao tabuleiro superior da ponte. E assistir ao pôr do sol a partir do Mosteiro da Serra do Pilar é algo de que se irá lembrar durante muito tempo.
O Porto é uma cidade bastante compacta, onde há sempre algo novo a descobrir a cada esquina. Não é invulgar que os pilares de uma ponte comecem no jardim de alguém. As ruas são frequentemente muito estreitas, pelo que é importante ter atenção às dimensões do veículo. O compacto Škoda Scala sente-se perfeitamente à vontade aqui, circulando com facilidade pelas ruas. Existem também muitas ruas de sentido único que podem levá-lo a percursos inesperadamente longos, com subidas e descidas acentuadas e passagens muito próximas das entradas dos edifícios.
A poucos quilómetros do centro histórico, é possível admirar arquitetura contemporânea. Entre os edifícios modernos, destaca-se claramente a Casa da Música. Esta estrutura em betão, que parece saída diretamente do universo de ficção científica de Blade Runner, foi inaugurada em 2005. Para além do design, a sala de concertos é única graças à sua parcial envidraçada, proporcionando uma experiência de audição excecional num espaço inundado de luz natural.
A gastronomia local não se limita ao marisco, como seria de esperar dada a localização da cidade, sendo surpreendentemente diversificada. Uma das suas curiosidades é o prato Tripas à Moda do Porto. Durante a conquista da cidade norte-africana de Ceuta pelo Infante D. Henrique, no século XV, os habitantes do Porto foram extremamente generosos e doaram toda a sua melhor carne aos soldados. Ficando com poucos recursos, tiveram de ser criativos. O resultado foi este prato, preparado com tripas, feijão, enchidos, legumes e especiarias, um guisado rico e substancial.
O Porto está também associado ao sabor doce do vinho do Porto, ideal para apreciar após um dia de exploração. As vinhas estendem-se ao longo do vale do Douro, desde a cidade até ao interior. O vinho do Porto ganhou notoriedade internacional durante a Guerra da Sucessão Espanhola, no século XVII, quando o vinho português se tornou popular em Inglaterra como alternativa aos vinhos franceses, então indisponíveis. O segredo está na adição de aguardente vínica durante a fermentação, o que preserva um elevado teor de açúcar natural e permite que o vinho resista às longas viagens até Inglaterra em barris. A influência dos comerciantes britânicos ainda hoje é visível — muitas casas de vinho mantêm nomes ingleses.