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07.02.2022

ŠKODA 1100 OHC Coupé

ŠKODA 1100 OHC Coupé: um carro de competição meticulosamente reconstruído

› Duas réplicas do ŠKODA 1100 OHC Coupé que foram construídas em 1959/1960

› Evolução adicional do design aerodinâmico do coupé e peso inferior (555 kg) são um testemunho do elevado nível de experiência técnica da equipa da ŠKODA

› As técnicas de fabrico tradicionais foram combinadas com tecnologias de ponta no Centro de Protótipos da ŠKODA AUTO para reconstruir o veículo de acordo com a documentação histórica

› O ŠKODA 1100 OHC Coupé (1959) complementa a versão de carroçaria aberta do veículo de 1957 na coleção do Museu da ŠKODA.

Para assinalar o 120º aniversário da ŠKODA Motorsport, colaboradores do Museu da ŠKODA e do Centro de Protótipos da ŠKODA AUTO juntaram-se com o intuito de criar um projeto para reconstruir o carro de competição ŠKODA 1100 OHC Coupé. As equipas começaram por recuperar a estrutura, o chassis e o motor originais e reconstruíram a carroçaria de acordo com a documentação histórica. Para tal usaram tecnologia de ponta, bem como técnicas tradicionais na construção da carroçaria.

A planificação para o desenvolvimento de um protótipo ŠKODA 1100 OHC (designação interna de type 968), que se destinava principalmente a corridas de velocidade de resistência, começou na primavera de 1956. No final de 1957, foi concluído o primeiro de dois protótipos com carroçaria aberta (roadster). Este veículo ainda está entre os destaques em exposição no Museu da ŠKODA em Mladá Boleslav. Atualmente, participa com regularidade em eventos nacionais e internacionais de carros clássicos. O segundo 1100 OHC é usado pela ŠKODA UK para fins publicitários, principalmente em eventos no próprio Reino Unido.

Em 1959/1960, os designers continuaram a trabalhar no projeto 968 e criaram dois coupés ŠKODA 1100 OHC com carroçaria fechada. Foram utilizados componentes testados e comprovados dos modelos de produção da ŠKODA. No entanto, ao contrário do ŠKODA SPORT e SUPERSPORT, que foram criados no final da década de 1940, o veículo não tinha como base uma estrutura tubular central para a montagem de um motor OHV na dianteira. Em vez disso, o ŠKODA 1100 OHC Coupé aproveitou uma estrutura rígida ultraleve com tubos de aço de paredes finas, tendo surgido com um chassis tubular, suspensões independentes, uma raridade para a época, com dois triângulos sobrepostos à frente e um eixo ligado por braços atrás e havia ainda uma barra de torção de 15 polegadas.

O motor estava montado atrás do eixo dianteiro em posição longitudinal, enquanto a embraiagem e a caixa de cinco velocidades formavam um conjunto montado atrás, com o diferencial, o que permitia uma distribuição de pesos quase ideal e um excelente desempenho dinâmico. O ŠKODA 1100 OHC Coupé era alimentado por um motor de quatro cilindros em linha atmosférico. Os cilindros e o cárter foram fabricados em alumínio e foram herdados do ŠKODA 440 "Spartak", assim como o veio de excêntricos. No entanto, o motor OHC do carro de competição ultrapassou significativamente a potência do Spartak de 40 cv (29,4 kW) a um regime máximo às 4.200 rpm. Isto graças às suas câmaras de combustão otimizadas, duplo comando das válvulas OHC, uma taxa de compressão de 9,3:1, dois carburadores, bloco de alumínio e ignição Bosch, Scintilla Vertex como ainda muitas outras modificações. A sua potência era de 92 cv (67,7 kW) às 7.700 rpm, com uma impressionante relação específica de 85 cv/litro. Em curtos períodos de utilização, podia atingir as 8.500 rpm. Dependendo da relação de transmissão, que podia ser regulada de acordo com cada circuito, o dois lugares com carroçaria de alumínio e um peso sem carga de apenas 555 kg atingiu uma velocidade máxima de cerca de 200 km/h. Os travões de circuito duplo garantiram sempre uma desaceleração eficaz e, para reduzir a massa não suspensa, os travões traseiros de tambor foram montados no diferencial.

A carreira desportiva dos dois coupés ŠKODA 1100 OHC aconteceu entre as temporadas de 1960 a 1962. Em 1966, foram vendidos a clientes particulares, quando deixaram de ser autorizados a competir após as mudanças nos regulamentos técnicos, que resultaram no fim da categoria abaixo de 1.100 cm3. Posteriormente, ambos foram destruídos em acidentes rodoviários. O proprietário do primeiro veículo, cujos componentes se mantiveram e foram usados na reconstrução, substituiu o motor do 1100 OHC por um bloco de quatro cilindros de produção com um comando de válvulas OHV de um FELICIA. O motor original esteve em exibição durante muito tempo numa escola em Mladá Boleslav, antes de ser instalado no reconstruído 1100 OHC Coupé. O segundo coupé ardeu num acidente. O condutor conseguiu sair ileso do veículo, mas a carroçaria de alumínio ficou irremediavelmente danificada. Depois de desmontado, o eixo traseiro com a caixa de velocidades integrada fez parte da coleção do Museu Técnico Nacional de Praga antes de ser doado há 25 anos atrás ao Museu da ŠKODA. O museu da marca também adquiriu de um colecionador particular em 2014, a estrutura feita de alumínio e de outros materiais, que foi cortada em três partes, juntamente com o eixo dianteiro completo e outras peças sobreviventes.

O motor tinha uma cilindrada de 1.089 cm3, debitando uma potência de 92 cv (68 kW) às 7.700 rpm (a velocidade máxima foi às 8.500 rpm), o que correspondia a uma relação potência/litro de pouco menos de 63 kW (85 cv). Originalmente, o motor funcionava com combustível da aviação com elevadas octanas, que era alimentado por dois carburadores duplos fabricados pela marca checoslovaca Jikov e, mais tarde, pelo fabricante italiano WEBER.

Uma lenda renascida

O ambicioso projeto de restauro do veículo não teria sido possível sem os técnicos especializados do Museu da ŠKODA e a sua experiência em trabalhar o ŠKODA 1100 OHC roadster. A documentação técnica original também foi crucial para o sucesso do projeto. Estava quase tudo preservado no arquivo da ŠKODA AUTO, incluindo uma explicação de cada seção de produção e um desenho explicativo para a instalação de montagens individuais. Os componentes mecânicos originais tinham muito pouco desgaste, pois o carro só tinha participado em poucas corridas. A renovação de todo o chassis, juntamente com um radiador recém-reconstruído, depósito de combustível e outros elementos, foi concluída no final de 2015.

Originalmente, o chassis do carro deveria ser exposto no Museu da ŠKODA ao lado do carro com carroçaria aberta. No entanto, foi decidido reconstruir o coupé como um veículo totalmente funcional.

A tarefa mais desafiante foi reconstruir a carroçaria de alumínio. O design original foi projetado por Jaroslav Kindl, um ex-engenheiro da fábrica. E de acordo com a documentação, os carpinteiros da época construíram um modelo de madeira. Posteriormente, numa empresa metalúrgica, fabricaram e moldaram manualmente os painéis de alumínio e, depois, chegou a vez de todas as peças serem soldadas ou rebitadas.

Ao longo da reconstrução, a equipa do departamento de restauro do Museu ŠKODA trabalhou em estreita cooperação com os colaboradores do Centro de Protótipos da ŠKODA AUTO. A partir da digitalização dos desenhos 2D na escala 1:1, foi criada uma grelha tridimensional das curvaturas, que foi pós-processada visualmente. As formas de cada componente foram cuidadosamente examinadas e retificadas, como foi o caso da frente do veículo e no contorno das luzes traseiras. Foram comparadas fotografias históricas com os esboços e o modelo 3D. Assim, os especialistas puderam visualizar o carro de todos os lados virtualmente e efetuar as correções necessárias. Foram criados modelos em miniatura dos cantos dianteiros e traseiros e um modelo de uma carroçaria à escala 1:1. Depois de avaliação especializada e efetuadas as alterações necessárias seguiu para aprovação final, e partir daí, os engenheiros da ŠKODA AUTO começaram a trabalhar nos diferentes elementos da carroçaria.

A carroçaria foi desenvolvida a partir de chapas de alumínio de 0,8 mm e 1 mm de espessura que foram soldadas manualmente e moldadas durante a reconstrução. Originalmente, os dois coupés eram únicos, apresentando um acabamento anodizado. Na pista, no entanto, esse tratamento de superfície não demonstrou nenhum benefício e, portanto, ambos os carros foram pintados de vermelho a meio da temporada de 1962.

O projeto elaborado para reconstruir completamente o veículo exigia a aquisição de vários pequenos componentes que eram idênticos às peças usadas nos veículos de produção na época. Os manípulos exteriores das portas do coupé, por exemplo, eram os mesmos do ŠKODA 1200 Limousine, e alguns comutadores e a tranca da ignição também foram usados no ŠKODA 440 "Spartak" e no OCTAVIA. O volante de três raios com acabamento em plástico preto, que também é claramente visível em desenhos históricos e fotografias, foi herdado do ŠKODA POPULAR, o best-seller do período da pré-guerra.

O 1100 OHC Coupé totalmente restaurado é um dos contributos mais significativos para o acervo da história de mais de 120 anos da ŠKODA Motorsport.